sexta-feira, 27 de março de 2009

A ESMO

. . . Como é bom ficar distraída
A passar o tempo
Olhando o tempo.
Como se o vento, leve brisa
Fosse carregando - me
INFINITA -
MENTE
Para algum lugar
SEM LIMITES . . .
Lá sentir - me nuvem -
Doce algodão
A deslizar no céu
E só passar, passar, passar . . .
Cecília Villanova

quarta-feira, 25 de março de 2009

DOIS E DOIS : QUATRO


Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele morena
Como é azul o oceano
E a lagoa, serena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena
- Sei que dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Mesmo que o pão seja caro
E a liberdade pequena.
Ferreira Gullar

segunda-feira, 23 de março de 2009

FÉ ( ERRADOS )

Na África - Oxalá
No Japão - Buda
No Brasil . . .
Deus nos acuda !
Glauco Guimarães

sexta-feira, 20 de março de 2009

DIA INTERNACIONAL DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL


Encontrei uma preta que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima para a analisar.
Recolhi a lágrima com todo o cuidado
num tubo de ensaio bem esterilizado.
Olhei-a de um lado, do outro e de frente :
Tinha um ar de gota muito transparente.
Mandei vir os ácidos, as bases e os sais,
as drogas usadas em casos que tais.
Ensaiei a frio, esperimentei ao lume,
de todas as vezes deu-me o que é costume :
nem sinais de negro nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

Antonio Gedeão

quarta-feira, 18 de março de 2009

EU . . .


Sou tropeira
Sou troteira
Sou treteira
O caminho de terra batida
Não me intinida !
Sou matreira
Sou guerreira!
Ás vezes chego à fronteira
Encontro porteira
Atravesso tranqueira
Mais a frente uma fronte
Uma fonte
Uma ponte
Um horizonte
Uma erva - cidreira! ?
Estou inteira !




Mena Moreira

segunda-feira, 16 de março de 2009

NOME

Tu, em tudo presença
vibrar de asa
Eu, que nem nome tenho
jamais nua de água
Tu, felicidade do corpo
embasado em brasa
Eu, sequer lembrança
mero eco na sala
Tu, veneno curare
- e eu é que me chamo naja?
Do livro Éden Hades.

sexta-feira, 13 de março de 2009

INTROSPECÇÃO


O homo sapiens
erectus
caiu de quatro
perplexo
ao saber
que a duração
da dura ação
da ereção
do seu sexo
só dura uma fração
do seu tempo de evolução
enquanto subjectus.
Carlos Alberto Cavalcante